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Longe de Casa
 


 

“Tem gente que vem e quer voltar

Tem gente que vai e quer ficar...

Tem gente que veio só olhar...

Tem gente a sorrir e a chorar

E assim chegar e partir!”

 

(Maria Rita – Encontros e Despedidas)

 

O que é estar longe de casa? Não sei mais. Eu achei que soubesse quando só tinha a casa do meu pai e a casa de minha mãe. Eu achei que soubesse quando deixei o interior pela capital, achei que entenderia melhor quando trocasse uma capital por outra. Achei que estar longe de casa seria diferente de não ter ninguém em casa, como também pensei várias vezes que o que mudava não era apenas a localidade, mas o referencial. E quem mudava? Eu mudava?

 

Hoje eu tenho várias casas e estou longe da maioria delas. Hoje eu tenho casa de amigos, de pai, de mãe, de aluguel, de vó. Hoje eu tenho a casa do meu amor, hoje eu tenho uma casa desenhada nos sonhos. Hoje eu tenho várias casas, mas não moro em nenhuma delas.

 

Feriado e finais de semana eu procuro estar perto de casa, uma nova casa. Cada vez eu levo um pouquinho; começou com uma pasta de dente “esquecida” na pia do banheiro... rs! Qualquer dia me mudo pra lá. Acho que não preciso dizer o nome da cidade, muito menos o endereço, afinal de contas, nome da rua, do bairro, do município... são o que menos importa! Nem sempre o plano físico é sequer percebido.

 

Segunda-feira chego em São Paulo às 6h15 da manhã. Faz muito frio. O relógio mais próximo marca 27ºC. E aí?

 

E aí que nunca me senti tão longe de casa; nunca senti que pudesse doer tanto estar longe de casa. E tudo que eu quero é pegar a estrada inversa. Sinto que ainda mais que o quanto eu quero, eu preciso pegar a estrada inversa. Eu sempre preciso. Eu sonho com o dia em que pegarei esta estrada num sentido único. Em meu único sentido. E para todos os NOSSOS sentidos...

 

 

Amor... TE AMO!



Escrito por Mell às 13h41
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Colocando as roupas no varal...

Mudar, mudar, moldar. Estar longe de casa é mudar ou só um estado de espírito? Você não precisa estar fisicamente separado do seu lar, aliás, será que é mais fácil estar longe de casa morando nela? O sentido de casa varia de pessoa pra pessoa... Casa pra mim são as pessoas, os amigos, os hábitos. Casa é lar, mas lar no sentido de aconchego humano, das almofadas que são nossos companheiros do dia a dia.

Acho que estar longe de casa é colocar as próprias roupas no varal. Não porque dentro de casa não colocamos, mas tirar cada peça da máquina de lavar é um processo quase que psicológico e, certamente, simbólico. Pendurar aquela camisa que vc adora usar quando vai pra balada. Aquela calça que já está um pouco velha, mas que você adora usar quando desce só pra ir na padaria ou no orelhão. A meia que sua mãe te deu, a cueca que usou quando namorava. O primeiro beijo em terra estranha, as primeiras cartas, os primeiros amores, as desilusões. Cada peça de um jeito. Cada uma com seus problemas, seus rasgos, suas histórias.

Estar longe de casa é ser dono de casa, fora de casa. Como é isso? Não sei, a gente vai aprendendo aos poucos. Hoje uma amiga me disse que a gente não muda qdo sai de BH e vai pro Rio ou SP, por exemplo, a gente muda aos poucos, vai se moldando com o passar do tempo... E é com o passar do tempo que eu vou ver aqui, o quanto eu realmente mudei, e que peças eu pendurei nesse varal.



Escrito por Fish às 23h00
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Escrevo porque gosto, foi a forma mais prazerosa e inteligente de me aliviar dos meus pensamentos. São muitos, são intensos, são insanos, são aventureiros, são trágicos. Sou capaz de pilotar um avião; sobrevôo mares, florestas, desertos, sobrevôo a minha própria alma e chego a me trair, me repudiar. Idolatro minha ilimitada capacidade de criação como a maior arma contra mim mesma.

 

Eu fujo. Sou uma constante luta entre o amor e o medo e sempre soube que o maior venceria. Talvez por isso mesmo tenha tido tanto orgulho em dizer que não acreditava no amor. Era só o medo de que ele de fato existisse e viesse para me assombrar.

 

Já fiz quatro anos de análise. É quase um curso universitário e ainda não sei o bastante sobre mim. Tenho medo de viajar pelas entranhas do que eu realmente sou. Ou não sou? Sobrevoar tornou-se fácil, difícil deve ser a hora do pouso. O medo me vence, o medo vence o amor.

O amor por mim!



Escrito por Mell às 21h58
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